O essencial de Serra do Cando

  • • 5.458 hectares protegidos como ZEC dentro da Rede Natura 2000 em Pontevedra
  • • Carballeiras de carvalho carballo com samambaias e musgos num ambiente húmido e sombrio
  • • Nascimento do rio Verdugo e afluentes do Lérez nas vertentes da serra
  • • Granitos erodidos em formas caprichosas visíveis no Monte do Seixo
  • • Aldeias de pedra com hórreos e cruceiros que conservam o seu uso original

Descrição

A Serra do Cando é uma formação de montanha média que ocupa 5.458 hectares no interior da província de Pontevedra, distribuídos entre os municípios de Cerdedo-Cotobade, Forcarei, A Lama e Beariz. Declarada Lugar de Interesse Comunitário (LIC) e Zona de Especial Conservação (ZEC) dentro da Rede Natura 2000, a serra faz parte do sector central da Dorsal Galega e apresenta uma orientação norte-sul com montes de perfil arredondado que oscilam entre os 600 e os 1.000 metros de altitude. A sua altitude média de 712 metros confere-lhe um carácter de transição entre os vales férteis das Rías Baixas e as serras mais ásperas do interior de Ourense.

Os montes da Serra do Cando são formados por granitos que a erosão da água e do gelo esculpiu em bolos e pedras de formas caprichosas, uma paisagem mineral que se destaca entre as superfícies de mato de brejo e tojo nas zonas altas. Nas vertentes nascem o rio Verdugo e vários afluentes do Lérez, cujos leitos alimentam florestas de ribeira compostas por freixos, abedules e alisos. As carballeiras de carvalho carballo, salpicadas de samambaias e musgos, cobrem as encostas médias criando um ambiente húmido e sombrio onde a luz se filtra em tons verdejantes mesmo nos dias de sol. Entre Cotobade e A Lama ergue-se o Monte do Seixo, um dos enclaves mais representativos da serra e ponto de referência para os caminhantes que percorrem a zona.

A fauna da Serra do Cando inclui o lobo ibérico, que mantém grupos familiares no entorno da serra, e o corzo, que se deixa ver com frequência nos claros da floresta ao amanhecer. O javali, o raposo e a garduña completam o quadro de mamíferos, enquanto entre as aves destacam-se o azor, o falcão e o cárabo, rapazes forestais que se beneficiam da densidade do arvoredo. Nos leitos fluviais habita a truta comum e foram registadas populações de lontra. A primavera traz uma floração intensa do tojo que tingem de amarelo as encostas da serra, um contraste chamativo com o verde escuro dos carvalhais e o cinzento das rochas graníticas.

A zona carece de infraestruturas turísticas em grande escala, o que preserva o seu carácter rural e tranquilo. Os percursos atravessam aldeias de pedra com hórreos, cruceiros e lavadouros que conservam a sua funcionalidade original, e as casas rurais dispersas pelos municípios circundantes oferecem alojamento num ambiente onde a velocidade da vida diária é medida pelo ritmo das estações. A gastronomia local gira em torno do polvo, o lacón com grelos, a empanada de milho e os vinhos da próxima denominação Rías Baixas, produtos que se encontram nas tabernas das aldeias e nos mercados semanais de Forcarei e Cerdedo.

A serra funciona também como uma fronteira climática subtil: as vertentes ocidentais, mais expostas aos frentes atlânticos, recebem precipitações superiores às orientais, o que se traduz numa vegetação mais densa e num verdor mais intenso na face que olha para as Rías Baixas. Este gradiente é perceptível ao caminhar pelas rotas de crista, onde a paisagem muda de forma apreciável consoante o lado da montanha para onde se olhe.

Informação prática sobre Serra do Cando

Tudo o que precisas de saber para a tua visita a Serra do Cando

Como chegar
Desde Pontevedra, a PO-531 e estradas locais chegam a Cerdedo-Cotobade em uns 40 minutos. Desde Vigo, a AP-53 liga-se a A Lama em 45 minutos. Não há transporte público regular à serra; carro próprio necessário.
Informação da área
A serra distribui-se entre quatro municípios do interior de Pontevedra. Não há centro de visitantes oficial. Informação nos municípios de Cerdedo-Cotobade e Forcarei. Mercados semanais em Forcarei e Cerdedo para produtos locais.
Geografia
Serra da Dorsal Galega com orientação N-S, altitude média de 712 m e cimeiras entre 600 e 1.000 m. Formada por granitos erodidos. Municípios: Cerdedo-Cotobade, Forcarei, A Lama e Beariz. Superfície protegida: 5.458 ha.
Flora e fauna
Lobo ibérico, corço, javali, raposa e garduña. Águia-real, falcão-peregrino e cárabo nas zonas arborizadas. Truta e lontra nos cauces. Carvalho carvalhento, brejo, tojo, bétula e floresta ribeirinha com freixo e aliso.

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Perguntas frequentes sobre Serra do Cando

Tira as tuas dúvidas sobre Serra do Cando

O lobo ibérico mantém grupos familiares na zona, mas é um animal muito esquivo que raramente se deixa ver. As probabilidades de um avistamento são baixas, embora os seus rastros (patas, excrementos, marcas territoriais) sejam encontrados com relativa frequência nos percursos. As primeiras e últimas horas do dia são as mais propícias.
A rota ao Monte do Seixo desde Cotobade oferece um percurso de dificuldade média com vistas panorâmicas da serra e formações graníticas características. Os caminhos que conectam povoações como Forcarei com as carballeiras do interior combinam património rural e natureza em distâncias de 8-12 km adequadas para caminhantes com experiência básica.
Calçado de montanha impermeável é imprescindível, já que o terreno pode estar embarrado durante grande parte do ano pelas chuvas frequentes. Um chubasquero leve, mapa topográfico ou GPS e água suficiente completam o equipamento básico. A sinalização não é uniforme em todos os percursos.
As tabernas das povoações de Forcarei e Cerdedo-Cotobade servem cozinha galega tradicional: polvo, lacón com grelos, empanada e caldo gallego. Os mercados semanais de Forcarei e Cerdedo são boa opção para comprar produtos locais frescos. Não esperes restaurantes turísticos: a oferta é autêntica e de preços baixos.
Um dia completo permite fazer uma rota de caminhada de meio-dia e percorrer alguma povoação da zona. Se quiseres combinar várias rotas e conhecer tanto a serra como as povoações rurais circundantes, dois ou três dias são recomendáveis. O ritmo da zona convida a ir sem pressa, e as casas rurais facilitam estadias curtas.